A chave do baú
"Nada sabemos da alma senão da nossa; as dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança no fundo." (Fernando Pessoa)
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Belém: muita água, pouca educação
Belém tem suas qualidades e seus defeitos, assim como toda e qualquer cidade do Brasil e do mundo. Sem dúvida, o clima de Belém é uma das suas qualidades: o seu calor agradável e a sua umidade, que nos favorece tantas chuvas deliciosas, são marcas registradas da cidade. Mas vejo que Belém está transformando suas qualidades em seus piores defeitos - a Belém que uso nesse sentido não é a cidade “Belém” e sim a população belenense que faz parte da cidade e consequentemente é a própria cidade. A cada chuva é notório o quanto a cidade sofre. Já virou até costume, depois da chuva todos já sabem o que acontece, sabem até em que lugar não passar.
Porque Belém não suporta a quantidade de água que recebe? A resposta é simples, está bem na nossa frente. Primeiro é falta de educação, segundo é falta de educação. A primeira é a educação que recebemos em casa, uma educação base, aquela em que o pai e mãe nos diz o que fazer, aquela que forma homens e mulheres de princípios. Não há um senso comum de preservar a nossa cidade, isso é evidente. E essa falta de educação não é especifica de um a classe social, é um costume geral e até aqueles que resistem à prática de jogar lixo no chão, por exemplo, se veem sem saídas quando não encontram UM lixeiro na rua. Eu mesma, uma vez fui jogar uma folha de papel num lixeiro da Praça Batista Campos e adivinhem... o lixeiro não tinha fundo!
O acúmulo de lixo nas ruas entopem os, já poucos, bueiros, dificultando o escoamento da água das chuvas. Além do mais, todos sabem que Belém se ergue, literalmente, sobre igarapés e lagos. Por toda cidade vemos um “canal”, e, sempre, cheio de lixo! Eu já até vi um sofá, sim um sofá jogado no canal. Onde vamos parar? Os locais de escoamento das águas do canal são barrados pelo lixo e vemos mais uma vez o seu transbordamento.
A outra falta de educação que digo, é a falta de educação da escola, aquela educação que formam cidadãos conscientes dos seus deveres e dos seus direitos! É a educação que formam eleitores conscientes. E a falta que essa educação nos traz problemas sérios. Belém não teve, não tem e, pelo visto, não tem projetos para ter qualquer plano de infraestrutura. Não vejo em lugar nenhum qualquer planejamento, qualquer lugar em que eu pudesse dizer “olha, aqui se realizou uma obra planejada”. Vejo ruas mal feitas, remendos, canais abertos, manilhas jogadas na beira das ruas. Belém está crescendo e um dia a estrutura da cidade não aguentará. Aliás, não está aguentando! Não temos uma infraestrutura capaz de suportar as constantes chuvas que caem na região, isso é notório. Depois vieram reclamar porque não ganhamos a disputa com Manaus: nós não estávamos e nem estamos preparados! O governo não nos oferece uma educação de qualidade e ainda vemos, cada vez mais, a mesma história se repetir nos cenários políticos.
Como podemos culpar a população de eleger qualquer pilantra que for, se ela não teve e não tem acesso a uma educação de qualidade? Não se pode! O que se deve fazer tentar, cada vez mais, zelar pela educação, primeiro em casa e depois na escola. Tenho certeza que um político que tivesse valores e princípios pensaria duas vezes antes de deixar a população apartada da educação. Enquanto isso, vejo a cada chuva, uma Belém se deteriorando, se afundando. Torço para que mude esse cenário. Que venham logo políticos conscientes e pais que eduquem direito seus filhos!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Um poema para inaugurar.
Os ombros que suportam o mundo Carlos drummond de Andrade (1935) Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer. E nada esperas de teus amigos. Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertam ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação. |
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